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A mostrar mensagens de dezembro, 2022

Capítulo 10 – Minha avó me contava fofocas sobre ex-panicats e políticos (2021)

Em conversa por telefone com minha avó, ela me diz como seria bom se fôssemos viajar. Eu, saudosa das viagens, concordo. Ela, uma gatuna, joga o verde e sugere nossa ida imediata. "Bora, Liz, ia ser tão bom…" " A gente ficaria dentro do quarto, acho que eu poderia ficar estudando então" - eu digo, pensando se haveria tempo de ler informativos do STJ e esquecendo que o que impede a aventura não é o judiciário, mas sim o colapso brasileiro (conhecido como executivo, brincadeira...mais ou menos brincadeira). "É, Liz, aí a gente dá uma voltinha na cidade…" "Voltinha…" - digo eu, já um pouco enfeitiçada com a perspectiva. Lembro de quando eu e minha avó demos nossa última voltinha no centro de Aracaju. No calor de meio dia, eu tinha dirigido de Salvador pra cá no dia anterior, cheguei cansada, minha avó estava 100% disposta. Procurava um vestido de festa pra ela, entramos em zilhões de lojas, eu já não aguentava mais, pedi arrego e sentamos ...

Capítulo 9 - Ao vencedor, as pitangas (13 de março de 2021)

Lá estávamos no exercício domingueiro mascarado, como exigem os nossos tempos. Vi um senhor perambulando entre algumas árvores e, sendo eu uma grandiosíssima curiosa confessa,fiquei olhando para tentar descobrir o que ele fazia.   Com surpresa, recebi a pergunta meio gritada pela distância, que vinha de lá pra cá: você gosta de pitanga?   Imediatamente parei a caminhada. Fosse qualquer outra fruta, eu teria conseguido acionar algum filtro social de resposta, mas era pitanga, a fruta que eu mais amo na vida (não a que eu acho mais saborosa, mas sim a que tem minha mais completa devoção).   Por duas razões simples: 1) você não consegue comer pitanga quando e onde quiser, não vende no super mercado e nem na feira, assim, não é você que escolhe a pitanga, é a pitanga que escolhe você; 2) minha vó e eu invadíamos algumas casas de vizinhos e surrupiávamos muitas pitangas, eu não sabia que aquilo era -em tese- errado e, na época, nem gostava muito da fruta em si, eu ...

Capítulo 8 – Domingo (24 de abril de 2016)

Eu gostava de fazer algumas perguntas estranhas quando era criança. E se uma pessoa respondia de forma muito engraçada ou só muito diferente do que eu imaginava, era um sinal de que mais pessoas precisavam responder à pergunta. Assim, não era incomum saber que um colega de turma adorava batata palha, que outra coleguinha não gostava do próprio cabelo, que um deles tinha surrupiado o estoque de revistas da Playboy do irmão e que a maioria tinha como dia favorito o sábado. Tentei descobrir que preferência maluca era essa pelo sábado, e qual não foi minha surpresa ao notar que o argumento (medíocre) nos levava apenas a ''porque depois do sábado ainda tem outro dia do final de semana''. Mas, meu argumento de 9 anos bem vividos, à época, mostrava-se muito mais razoável. Eu gostava do domingo, porque domingo era um dia em que toda a família ficava junta. Minha avó liderava nossas tardes com aventuras que, hoje, me dariam um pouco de medo de um machucado ou de uma doen...

Capítulo 7 – Nesse dia eu estava chateada, mas tudo bem ( 02 de maio de 2018)

Essas coisas perdidas que a gente acha por aí ''Joguei damas com minha avó quando eu era criança. Ela sempre ganhava . Um dia, enquanto ela estava na cozinha, fiz alterações no tabuleiro, trapaça. Ganhei. Liguei para minha avó quando cheguei em casa, um pouco assustada, avisando e me desculpando.   Meu pai, uma vez, me disse que se eu colocasse muito sal na minha sopa de feijão, como eu vinha fazendo, teria que tomar o resultado do acréscimo negligente de sal mesmo com gosto ruim. Quando terminei, a sopa estava   realmente horrível.   E eu tomei até o fim. Tem coisas que a gente aprende quando é criança. Lealdade, mesmo que você queira muito ganhar, e responsabilidade pelas consequências. Mas tem aquelas crianças que não se sentiram mal ganhando (da avó) de forma injusta ou que nunca tiveram que tomar uma sopa de feijão com 50 kg de sal. Então, essas crianças crescem e viram pessoas adultas que lhe dizem que você é muito dura, muito certinha, que a vida não é as...

Capítulo 6 – Dia do aniversário de 80 anos da minha avó (eu não sabia ainda, mas nesse dia ela ficaria 100% chapada por ter errado remédios) – (19 de novembro de 2016)

Hoje minha avó faz 80 anos, ela não é uma senhorinha pacata e comum, meus caros (os relatos aventureiros feitos nesta rede social já anunciaram que não se trata *mesmo* de uma senhorinha pacata e comum). Alguém escreveu no verso de uma foto antiga, dada de presente para essa senhorinha aventureira, que ela conservava sua criança interior como ninguém. Uma legenda muito certa. Eu espero que seja uma característica familiar, para que eu possa conservar a minha criança também. Isso não tem nada a ver com deixar de assumir responsabilidades. Não. Criança é coisa séria e esperta, só que é uma coisa séria e esperta muito mais colorida. Minha avó tem dentro de si uma criança muito traquina (a minha criança tem um pouco de medo disso). Foi com ela que eu aprendi a subir em uma árvore (não a descer, o que me rendeu um inconveniente episódio numa mangueira - o resgate ocorreu bem), que eu surrupiei pitangas de um vizinho (depois o moço que cuidava do jardim foi até a minha casa com um bo...

Capítulo 5 – Como identificar uma senhorinha que foi uma criança traquina – manual prático (27 de março de 2018)

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 Eu sei que pode soar muito errado de alguma forma (ou de todas as formas), mas minha avó é uma senhorinha um pouco mafiosa. Ela tem mais de 80 anos (por favor, ninguém avise a ela que eu revelei esse dado, temo pela minha vida, tenham algum respeito por mim). Hoje mesmo, fui resolver pendências com minha avó e quis ajudá-la a atravessar a rua. Como de costume, ela saiu em disparada e me deixou na calçada falando para o vento sobre a importância de ter zelo ao atravessar a rua e sobre como é importante não correr. - Vó, a gente tem que atravessar devagar, tá vindo carro - Pois, deixe atropelarem uma velhinha pra você ver quanta gente não junta – disse ela concluindo a travessia muito a minha frente e me deixando, na faixa de pedestres, um tanto chocada. Minha avó sempre andou mais rápido que eu,   sempre foi uma aluna melhor na academia que eu, inclusive, fez e faz muito mais exercícios físicos que eu (pessoa com a coordenação motora de uma samambaia manca- sou eu mesm...

Capítulo 4 – Uma deusa, uma mafiosa, uma feiticeira (08 de outubro de 2016)

Minha avó é uma das pessoas mais engraçadas e desinibidas que eu conheço. Costumo lembrar de uma briga em que me envolvi na escola quando tinha entre 7 e 8 anos (não lembro o motivo, mas lembro que eu estava certa).   Enquanto minha mãe falava de serenidade, de manter a educação, de não perder a razão, minha avó dizia, de uma forma, digamos, pouco convencional: “não mexa com ninguém, não bata em ninguém, mas não deixe ninguém lhe bater, se lhe baterem, bata de volta”. Mas ela não é impiedosa, nunca foi. Aliás, quando era criança, minha avó não gostava de ver que algumas casas tinham cinco garrafas de leite na porta e outras não tinham nenhuma. Tratava ela mesma de distribuir, passando nas portas e remanejando as garrafas. Essa introdução é importante para mostrar o ímpeto dessa, hoje, senhora em ajeitar as coisas. Uma espécie de justiça divina diy, com tutorial no pinterest. Eu não tenho o mesmo ímpeto para enfrentar a autoridade das circunstâncias. Já contam uns seis a...

Capítulo 3 – Talvez a vítima ainda esteja lá (isso não é um título apenas, é um pedido de socorro) – (27 de janeiro de 2013)

Estava minha avó num desses prédios públicos. Uma senhorinha aleatória ía subindo a escada. Minha avó: Por que você não vai de elevador? A senhora: Eu tenho medo Minha avó: Juuuura?!   Até hoje, simplesmente, não sei o que aconteceu com a senhorinha. Porque minha avó segurou a senhora, chamou o elevador, e jogou a a senhora lá dentro. Assim, como se a mulher fosse um saco de batatas e como se, ao jogar a pessoa dentro do objeto de sua própria fobia, ela fosse ser curada automáticamente. O pior de tudo é que, enquanto a porta fechava, minha avó se limitou a dizer: Quando a porta abrir, você sai. Ela nem mesmo foi conferir o que tinha acontecido, só saiu de cena, certa de que tinha cumprido sua boa ação do dia. Se você tiver notícias sobre a senhora presa no elevador da loja de tecidos do Centro da cidade, favor enviar um email com o título “URGENTE – RESGATE”, para o contato: resgateabaixodoterreo@gmail.com