Capítulo 7 – Nesse dia eu estava chateada, mas tudo bem ( 02 de maio de 2018)

Essas coisas perdidas que a gente acha por aí ''Joguei damas com minha avó quando eu era criança. Ela sempre ganhava . Um dia, enquanto ela estava na cozinha, fiz alterações no tabuleiro, trapaça. Ganhei.

Liguei para minha avó quando cheguei em casa, um pouco assustada, avisando e me desculpando. 

Meu pai, uma vez, me disse que se eu colocasse muito sal na minha sopa de feijão, como eu vinha fazendo, teria que tomar o resultado do acréscimo negligente de sal mesmo com gosto ruim. Quando terminei, a sopa estava  realmente horrível.

 E eu tomei até o fim.

Tem coisas que a gente aprende quando é criança. Lealdade, mesmo que você queira muito ganhar, e responsabilidade pelas consequências. Mas tem aquelas crianças que não se sentiram mal ganhando (da avó) de forma injusta ou que nunca tiveram que tomar uma sopa de feijão com 50 kg de sal.

Então, essas crianças crescem e viram pessoas adultas que lhe dizem que você é muito dura, muito certinha, que a vida não é assim como você acha que é.

Ou, por incrível que pareça, dizem que você é muito criança.

Eu fui muito criança, obrigada, muito a criança que pediu desculpas à avó pelo jogo de damas e que tomou a sopa salgada. A que conversava com os novatos no primeiro dia de aula e a que amarrava o sapato dos colegas na cadeira, mas só enquanto eles também estivessem rindo. A que apanhava de alguns meninos fisicamente mais fracos e a que ameaçou um rapaz do transporte que estava incomodando a irmã mais nova. A que não falava muito e a que falava muito. A que tinha vergonha generalizada e a que fazia Teatro na escola.

Não, ''criança'' não é um termo que me ofende mais.  Porque quando eu era criança, eu aprendi que existem coisas importantes que nós temos que fazer, querendo ou não. Eu aprendi. E eu chamo essas coisas de princípios hoje, e é isso que importa no fim do dia.

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